Suspeitos de trote com larvicida em faculdades de RO São identificados

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A Polícia Civil de Vilhena, no Cone Sul de Rondônia, identificou duas pessoas suspeitas de serem os responsáveis pelo trote violento com creolina e larvicida, ocorrido em fevereiro deste ano, na Faculdade da Amazônia (Fama), instituição de ensino particular do município. Conforme a polícia, um veterano admitiu que comprou benzocreol, um produto similar da creolina, e outro assumiu que jogou o produto nos calouros. As investigações estão em curso, e a polícia acredita que pode ter mais pessoas envolvidas no crime. Segundo a faculdade, o trote deixou 12 calouros do curso de agronomia feridos. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (1º), pelo delegado Núbio de Oliveira. Depois do episódio, a faculdade instaurou uma comissão e após 10 dias de apuração, expulsou três alunos, suspendeu cinco por 60 dias e repreendeu por escrito quatro estudantes, que deverão ser submetidos a acompanhamento psicoterápico pelo prazo de 90 dias.  Gabriela diz que veteranos usaram até tinta de carro em trote (Foto: Eliete Marques/ G1) Conforme a Polícia Civil, dos três alunos expulsos, dois deles confessaram a participação no trote. O terceiro nega, e as testemunhas ainda não apontaram para ele. No entanto, a polícia acredita que houve a participação de mais pessoas no crime. Segundo a faculdade, a comissão ouviu as vítimas, os suspeitos e coletou imagens do trote. Depois do material colhido, a banca concluiu que três alunos lideraram o trote violento, pois tiveram a iniciativa de levar o produto químico para a instituição. O delegado responsável pelo caso, Núbio de Oliveira, explica que sete pessoas registraram ocorrências por lesão corporal, mas a polícia apurou que mais seis alunos também teriam sido vítimas, porém, não fizeram o registro. Os calouros que registraram ocorrências foram submetidos ao exame de corpo de delito, e já foram intimados para o exame complementar, que verificará as consequências do trote, e será realizado por um médico legista. As outras supostas vítimas serão intimadas para comparecer a delegacia para prestarem declarações e serem submetidas ao exame de corpo de delito. De acordo com o delegado, por enquanto, a polícia trabalha com um procedimento investigatório. "Ou seja, por hora, está dentro da seara dos delitos de menor potencial ofensivo. Constatando uma lesão mais grave ou gravíssima, esse procedimento pode mudar para inquérito policial. Para saber se as lesões saem do patamar de leve, para grave ou gravíssima, é que a gente faz o exame complementar", explica Oliveira. O exame complementar deve ser realizado nas próximas semanas. Os suspeitos devem responder pelo crime de lesão corporal dolosa, com pena de detenção de três meses a um ano, por cada vítima. "A depender da gravidade dos ferimentos, que serão agora confirmados com os laudos de exames complementares, as penas poderão ser ainda maiores. Estamos procurando ampliar o máximo possível as investigações, para ter uma noção de todo o contexto, para somente ao final definirmos o rito a ser adotado para a apuração do crime, e as supostas infrações penais", conclui o delegado.  Kelissa diz ter pensado que trote seria com tinta (Foto: Eliete Marques/ G1) Boletins de ocorrência Com queimaduras nas costas e ombro, a caloura de agronomia, Gabriela Karina Kerber, de 21 anos, é umas das vítimas que procurou a polícia. Em entrevista ao G1, em fevereiro, Gabriela afirmou que os veteranos usaram tinta automotiva, larvicida e creolina na brincadeira. "Não esperava que seria dessa forma. Aceitei participar de um trote normal. Eles entraram na sala e disseram para nós que iria ser um trote, mas que não iria ter agressão, e não iria ter sangue. Começaram a pintar as mãos e os pés. Depois começaram jogar um líquido na gente", lembra. Composição Segundo a bula do larvicida, o produto usado no trote é recomendado apenas para o tratamento de bicheiras em animais, provocadas por larvas ou ferimentos externos. A inalação do mesmo é proibida, sendo vetado o uso em aves. O produto também é altamente inflamável. Já a creolina é usada em limpeza ou na dissolvia de produtos químicos, como desinfetantes. Benzocreol é um produto similar a creolina, com a mesma finalidade. Atendimentos médicos Após o trote, os jovens procuraram atendimento médico em hospitais do município com queimaduras pelo corpo. A caloura Kelissa Luila Pereira Rodrigues, de 19 anos, sofreu lesões no ombro e braço. "Disseram 'pra' gente que iria ser uma brincadeira com tinta. Quando estávamos cheios de tinta, eles começaram a jogar um produto químico na gente, que começou a queimar e a arder. Foi muita dor", relata.  Jovem dizcorreu para tentar lavar, pois ardia muito (Foto: Eliete Marques/ G1) Já o calouro Lucas Ribeiro Boehm, de 17 anos, ficou internado em um hospital particular da cidade, com queimaduras de primeiro grau nas costas, ombro e tórax. "Jogaram 'lepecid com creolina' e na hora que bateu no corpo, começou a queimar. Senti muita dor. Comecei a pular e não parava a dor. Nesse momento corri para o banheiro. Ardia muito. Fiquei meio tonto, quase desmaiei, e um amigo me trouxe para o hospital", relatou. Posicionamento Após o fato, a Faculdade da Amazônia divulgou nota repudiando o trote aplicado pelos calouros de agronomia. Segundo a instituição, brincadeiras violentas são proibidas dentro da faculdade e "a responsabilidade de cada aluno veterano será rigorosamente apurada, através de Processo Administrativo Disciplinar, que já foi instaurado, a fim de que a cada acadêmico veterano envolvido sejam aplicadas as penalidades administrativas cabíveis, que vão desde a suspensão até a expulsão". Fonte : G1 RO


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