Odebrecht, o império que sextuplicou a facturação com o PT de Lula no poder

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É a maior empreiteira, a maior multinacional e a maior empregadora do Brasil. Está sob investigação da Justiça e da polícia. Qual o futuro deste império de 72 anos?                         FONTE:UOL
                   O que é que a Ponte Vasco da Gama, em Lisboa, tem em comum com a sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, com a hidroeléctrica de Capanda, em Angola, com o aeroporto internacional de Nacala, em Moçambique, com a barragem Seven Oaks na Califórnia, ou ainda com a arena Corinthians, em São Paulo, palco da abertura do Mundial de 2014? Todas são obras realizadas pela Odebrecht, a maior empreiteira brasileira, o quarto maior grupo privado do país e o principal alvo (depois da própria Petrobras) da operação Lava-Jato, a maior investigação de corrupção da história do Brasil, que começou há dois anos e revelou um esquema gigantesco de corrupção na Petrobras envolvendo as maiores empreiteiras do país e políticos de vários partidos.
Esta semana, nove meses depois da prisão de Marcelo Odebrecht, que presidia à empresa e da sua recente condenação a 19 anos de cadeia, a Odebrecht admitiu pela primeira vez que pagava subornos e decidiu fazer acordos de delação dos seus principais executivos, incluindo o ex-presidente. Uma reviravolta na estratégia de defesa da holding e do seu presidente entretanto afastado, um dos executivos que mais resistia a tal tipo de acordo.
O anúncio da “delação premiada” coincidiu com mais uma operação da polícia federal na empreiteira e com a revelação de que a empresa tinha uma espécie de “intranet da propina”, em que constava o nome da obra, o responsável da Odebrecht e o do beneficiário e o seu nome de código. As investigações sobre quem recebeu ilegalmente recursos ainda estão no início, mas a divulgação de uma lista com o nome de mais de 200 políticos e o facto de os executivos terem aceitado “uma colaboração definitiva” com as investigações da Lava-Jato caíram como uma bomba entre os políticos brasileiros nas vésperas da Páscoa.Segundo os procuradores, o então presidente Marcelo Odebrecht não só tinha conhecimento, como “comandava a sistemática de pagamentos de propina”. Há indícios de que os pagamentos tenham sido feitos até Novembro de 2015, mesmo com Marcelo já atrás das grades.
Da Bahia à Lava-Jato A maior multinacional brasileira foi fundada em Salvador da Bahia, em 1944, por Norberto Odebrecht, neto de imigrantes alemães e avô de Marcelo. Foi com o “milagre económico” entre 1968 e 1973, durante a ditadura militar no Brasil, que a Odebrecht se transformou numa das principais construtoras do país. Participou na construção de rodovias, da própria sede da Petrobras, do aeroporto do Galeão e da Usina Nuclear Angra 1, em Angra dos Reis. Em 1979, começou a operar no estrangeiro. O Peru foi o primeiro destino, hoje está presente em 28 países. Em plena guerra civil de Angola, em 1984, construiu a hidroeléctrica de Capanda — chegou a ter de retirar operários aquando dos ataques ao estaleiro de obras —, mas nunca mais saiu do país. Quando a guerra civil acabou, a Odebrecht tornou-se a maior empregadora privada em Angola devido à sua relação próxima com o governo. Angola é considerado um mercado tão importante para a construtora que, em 2007, o conselho de administração realizou naquele país a sua primeira reunião fora do Brasil.

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